Le Havre e Itajaí têm mais coisas em comum do que o fato de serem, respectivamente, portos de partida e chegada da regata Jacques Vabre. As duas cidades têm cerca de 180 mil habitantes, são litorâneas e possuem um porto que se destaca o de Le Havre é o segundo maior da França em toneladas movimentadas ao ano. Ambas também vivem grandes desafios. Itajaí faz parte de uma região turística, mas ainda não se firmou como polo de esportes náuticos. Já Le Havre, possui uma forte tradição náutica, mas ainda não consegue explorar seu potencial turístico. As semelhanças e diferenças entre as duas cidades foram sentidas quando o DIARINHO circulou pela cidade do norte da França, na tarde chuvosa de domingo, na companhia do guia de conferência, Jean Paulo Herbert.
Le Havre teve grande parte do seu território reconstruído após a segunda guerra mundial. A cidade foi tomada pelos alemães e para ajudar a França a retomar o país, os Estados Unidos tiveram que ...
Le Havre teve grande parte do seu território reconstruído após a segunda guerra mundial. A cidade foi tomada pelos alemães e para ajudar a França a retomar o país, os Estados Unidos tiveram que bombardear todo o território. Logo após a retomada, os franceses começaram a reconstrução e para isso contrataram um corpo de arquitetos, capitaneados por Gustav Perrier, que foi buscar inspiração em Veneza para seu projeto.
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Le Havre foi uma cidade planejada e por isso possui canais artificiais em boa parte do território, o que acentua sua característica náutica. Também possui dicks de contenção que impedem a inundação do município em dias de alta das marés.
Os canais, os prédios horizontais, as construções em estilo enxaimel, os tons sóbrios e a grande costa dão a Le Havre um charme único. A parte reconstruída foi declarada pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.
Esportes náuticos
Nos canais artificiais, projetados no século 16, estão as três marinas da cidade, responsáveis por abrigar cerca de dois mil barcos. Uma das marinas está sendo reformada e ampliará sua capacidade de 300 para 550 vagas molhadas. São nessas marinas que ficam os mais de 100 barcos usados pela prefeitura de Le Havre nas aulas de vela e remo oferecidas aos alunos da rede municipal de ensino. Todas as escolas da cidade são públicas. Esportes náuticos fazem parte do currículo escolar. Tem que levar a criança para velejar. Depois de ela ir uma vez, não quer mais parar, explicou o prefeito de Le Havre, Edoaurd Philippe, ao DIARINHO.
A cidade possui mais de 1838 clubes náuticos. Também abriga veleiros de proprietários de várias partes da França, que escolheram o município como local para a prática da vela. Embora tenha essa veia turística, chegando a atracar 108 transatlânticos numa temporada, segundo Jean Paul, ela ainda é vista como uma cidade industrial e tem o seu potencial econômico focado no comércio exterior. O francês explica que o potencial turístico de Le Havre está sendo desenvolvido aos poucos. Ele não tem dúvidas de que os 20 anos da regata Jacques Vabre contribuem muito para isso.
Mais de 10 dias de atividades na vila da regata
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Os moradores de Le Havre poderão curtir a vila da regata francesa entre os dias 26 de outubro e 3 de novembro. Durante os 10 dias de atividades antes da largada, cerca de 300 mil pessoas devem passar pela estrutura permanente da vila, que ficará ao redor do canal Paul Vatine.
Para sair deste canal, os 40 barcos da regata passarão por duas pontes móveis Assim como a Volvo Ocean Race, uma hora antes da saída da regata, os competidores fazem exibições dos barcos ao público. Segundo Jeanine Perie, representante da regata no Brasil, Le Havre é o primeiro porto de exportação de café da França. A fábrica de café Jacques Vabre fica na cidadee por isso uma das exigências para a escolha da cidade que abrigará a chegada era que fosse num país produtor de café.
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Oscar Niemayer deixou sua marca aqui
Se boa parte dos catarinenses descobrirá Le Havre por meio da regata Jacques Vabre, um brasileiro se encantou com esta cidadezinha francesa há muito tempo. O arquiteto Oscar Niemayer, que morreu na semana passada aos 104 anos, tem uma obra cravada no centro de Le Havre. O centro cultural da cidade tem a assinatura do brasileiro.
O espaço foi projetado depois de 1965, quando o Niemayer ficou exilado na França. Comunista de carteirinha, Niemayer foi expulso do Brasil por conta do regime militar. Como na época Le Havre possuía um governo sócio-comunista, o arquiteto ficou hospedado na cidade e logo surgiu o convite pro projeto.
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Le Volcan foi inaugurada em 1982. O nome é uma homenagem a um vulcão. É um dos poucos prédios que foge a cor da cidade. O branco chama a atenção em meio a tantos prédios em tons ocres.
O local passa atualmente por uma grande reforma e terá uma sala transformada em midiateca. Quando o prefeito de Le Havre soube da morte do arquiteto brasileiro, fez uma homenagem ao artista.