O aposentado Roberto Dalçóquio, 64 anos, mora desde que nasceu no bairro Salseiros. Para ele, a vinda da empresa para o bairro vai trazer mais prejuízos que benefícios. O movimento de carros e caminhões já é intenso. Imagina só agora, protesta. Ele alega que a empresa, assim como as outras que estão instaladas na rua César Augusto Dalçóquio, onde vai sair o empreendimento, não têm estacionamento próprio. Os caminhões vão trancar o trânsito. Sem contar que são veículos carregados de produtos químicos, acrescenta.
Continua depois da publicidade
Cabreiro, Antônio criticou o local onde a audiência foi organizada. Se tivessem feito no bairro Salseiros, daria mais gente, com certeza. A maioria ficou em casa por causa da distância, tasca.
Antonio Avelino Mathias, 64, também aposentado, concorda com o vizinho e prevê que o barulho provocado pelo incremento do tráfego também será um problema a mais por lá. Não falaram quase nada do barulho, mas vai haver. Tenho certeza, afirma o cara, que já pensa até em se mudar do bairro. Vou acabar tendo que vender a casa, desabafa.
Leandro Antonio Mathias, 30, também pontuou a questão do tráfego de caminhões. Ele acha que, apesar dos 243 empregos diretos prometidos pela empresa, os impactos se sobrepõem aos benefícios gerados. Acho que vai prejudicar, principalmente, o movimento, opina.
Relaxa e goza
O engenheiro ambiental da Ecolibra, Fernando Montanari, coordenador do estudo de impacto ambiental do empreendimento, diz que os moradores não têm com o que se preocupar. Ele explica que o ruído pode rolar apenas durante o processo de implantação da empresa. Durante a fase operacional, isso com certeza não irá ocorrer, afirma.
O sabichão acrescenta que o estudo prevê uma série de medidas preventivas com relação a possíveis impactos ambientais. Há risco, por exemplo, de vazamento de óleo no rio, mas o estudo prevê meios de que ele seja controlado e minimizado, caso ocorra, garante. Conforme o engenheiro, o estudo aponta que 91% dos moradores entrevistados é favorável à instalação do estaleiro.
Sérgio Ambrósio Maçaneiro, diretor da Arxo, prevê que a empresa vá gerar 50 empregos durante a fase de instalação e outros 243 durante as operações. Segundo ele, este argumento por si só justifica a vinda da empresa para Itajaí. Ele diz que a preocupação do povão com a barulheira é irrelevante. O estudo apontou que já existem outros locais na região que produzem ruídos altos, e essas pessoas já se acostumaram, alega.
Sobre as reclamações a respeito do local da audiência, o diretor argumenta que foi uma sugestão da própria fundação do Meio Ambiente da Santa & Bela (Fatma). Seria um local mais amplo e de fácil acesso para termos esse debate, justifica.
Continua depois da publicidade
A previsão é de que a Arxo comece a operar na rua César Augusto Dalçóquio a partir de 2015. A empresa, vai produzir peças para estaleiros locais.
Moradores temem mais poluição e barulho
A dona de casa Simone Mathias, 38, mora exatamente em frente ao terreno onde será instalada a Arxo. A vinda da empresa parao bairro, segundo ela, só tende a aumentar um problema que já tira o sono e o sossego dos moradores de Salseiros há quatro anos. O barulho dessas empresas e dos caminhões vara a madrugada. Ninguém tem mais paz, resume.
Continua depois da publicidade
Simone conta, que desde o início das atividades da empresa Flora, bem ao lado do terreno da Arxo, viver no bairro virou um desafio diário. As ruas estão sempre fechadas de caminhões. Você acorda bem cedo e já se depara vários deles, revela.
Mas o perrengue maior, segundo a moradora, nem é o barulho. O odor de sabão que vem da firma de cosméticos e limpeza é quase insuportável, e o produto químico deixa as casas imundas. Eu sou obrigada a fechar a casa toda. Quando chove, você vê um monte de bolhas de sabão no quintal, reclama.
A ex-agricultora Dejair Ondina Mathias, 61, mãe de Simone, olha com tristeza para a horta que mantém no jardim de casa. Desde que a empresa Flora desembarcou por lá, há cerca de quatro anos, o odor de sabão tem exterminado as florzinhas. Os feijões de vara murcharam, e as rosas nem nascem mais, lamenta.
Continua depois da publicidade
Apesar de terem dado as caras na reunião, Simone e Dejair não concordaram com o local onde rolou a apresentação do relatório de Impacto Ambiental. Para elas, o plá deveria ter rolado mais próximo da comunidade, pois o perrengue vai afetar diretamente quem mora em Salseiros. Por que não fizeram no pavilhão de Salseiros?, questiona Dejair.