Itajaí

Empreendedor Nato

De vendedor de lanches ao maioral da construção civil na região

Nascido em Armação, cidade de Penha, em 1953, Rogério e a família se mudaram para Itajaí quando ele tinha cinco anos de idade. De família humilde, começou a trampar aos 11 anos. Desta idade até os 13, fazia pandorgas pra vender. E foi nesta época, ainda moleque, que seu lado empreendedor começou a aflorar: passou a comprar tecidos para fazer roupas e vender aos conhecidos.

Foi também aos 13 anos que Rogério Rosa começou a pegar o gosto pela construção civil. E, segundo ele próprio, meio que sem se dar conta disso. “Quando passava por uma marquise, ficava imaginando ...

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Foi também aos 13 anos que Rogério Rosa começou a pegar o gosto pela construção civil. E, segundo ele próprio, meio que sem se dar conta disso. “Quando passava por uma marquise, ficava imaginando como ela se mantinha daquele jeito, presa somente pelo pilar”, contou, numa entrevista a uma revista corporativa. Na adolescência, ajudava os pais numa banca de peixe. Também ainda jovem, montou um carrinho de lanches.

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Aos 19 anos, decidiu que ia trabalhar no ramo na construção civil. Pra isso, começou a dividir seu tempo entre o carrinho de lanches que botava pra funcionar durante o dia na praia de Cabeçudas e à noite no centro de Itajaí, e as atividades como empreiteiro. Em 1976, Rogério Rosa começou a construir, como terceirizado, seu primeiro prédio. Também montou uma marcenaria pra fabricar as portas e os móveis das obras que fazia. Foi assim que juntou 45 mil dólares, grana que usou pra fundar, em 12 de setembro de 1984, a Embraed.

Em maio de 2011, Rogério comprou e revitalizou o Infinity Blue Resort e SPA, o antigo Recanto das Águas, na estrada da Rainha, em Balneário Camboriú, num negócio que teria beirado a cifra de 100 milhões de reais.

O primeiro edifício construído pela Embraed foi o San Diego, próximo da avenida Brasil, em Balneário Camboriú. No final da década de 90, para se diferenciar das outras construtoras, Rogério começou a construir prédios de alto padrão. Passados quase 30 anos, em agosto de 2013, lançou o residencial mais alto do Brasil, o Villa Serena, que fica na Maravilha do Atlântico e tem 46 andares. Cada apê custa perto de R$ 2 milhões, o que dá ideia do tamanho dos negócios do empresário. Também construiu o primeiro complexo empresarial de luxo de Itajaí, que leva o nome da construtora, Embraed.

Paixão pelos carrões

O único hobby de Rogério eram os carrões. Tinha na garagem uma Mercedes SLS, um Rolls Royce, um Jaguar e um Porsche. Todos cuidados com muito zelo, tanto que mandava o motora levar, pessoalmente, os carrões pra serem lavados. Gostava de circular nos possantes sempre acompanhado de belas mulheres.

Família

Filho de pescador, Rogério foi casado duas vezes e estava separado da segunda mulher há 10 anos. Teve quatro filhos, Rogério Jr., Rodrigo, Tatiana e Diego, sendo dois de cada casamento. Tatiana Rosa Cechinel, filha do primeiro casamento, atualmente é a diretora da Embraed Home, empresa que é voltada à decoração de ambientes.

Rogério Rosa alavancou os empreendimentos de luxo na região

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O empresário Carlos Humberto Metzner Silva, presidente do sindicato da Indústria da Construção Civil de Balneário Camboriú (Sinduscon), conhecia o empresário Rogério Rosa há 20 anos. O dono da Embraed, nas palavras de Carlos Humberto, era uma pessoa calma, serena, empreendedora, sonhadora e que sempre trabalhou muito. “Ele foi uma das pessoas que ajudou Balneário chegar ao ponto de ser reconhecida em nível nacional pelas suas construções de luxo. Ajudou a cidade crescer, não só na construção civil, mas em todos os aspectos”, afirma.

A quarta-feira da semana passada foi a última vez em que Carlos encontrou Rogério. Os dois conversaram bastante, e Rogério não apresentou nenhum sinal de tristeza ou desânimo em relação à vida, comenta o chefão do Sinduscon. “Ele tava muito bem, alegre, conversamos bastante, parecia tudo normal”, diz.

Sobre a suposta depressão que o dono da Embraed estaria sofrendo, Carlos Humberto afirma que soube da doença somente depois da morte do amigo. Em relação à saúde financeira da Embraed, o presidente dos Sinduscon garante que Rogério Rosa nunca esteve tão bem. “Ele estava numa das melhores fases de sua vida financeira”, avalia

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O também empresário da construção civil, Auri Pavoni, que é secretário de Planejamento da prefeitura Balneário Camboriú, conta que conheceu Rogério Rosa em 1986. Desde então, ao longo desses 27 anos, criaram um forte vínculo de amizade. “Estou chocado. Todos estamos sofrendo pela perda”, disse, antes de entrar na capela mortuária do cemitério Parque dos Crisântemos para prestar solidariedade à família e dar o último adeus ao amigo.

Lembra que viu o amigo pela última vez há duas ou três semanas, quando foi até o escritório de Rogério. O dono da Embraed, segundo Auri Pavoni, era uma pessoa otimista e de alto astral. “Ele deixou uma escola, um aprendizado”, afirmou.

O grupo FG Empreendimentos, um dos principais concorrentes da Embraed, emitiu nota lamentando o falecimento do fundador da Embraed. Os empresários Francisco Graciola e Jean Graciola afirmam que Rogério Rosa foi um dos pilares para o crescimento de Balneário Camboriú e de Santa Catarina. “Que neste momento difícil e de profunda dor, Deus conforte familiares, amigos e colaboradores da empresa e que permaneça o modelo de homem visionário, profissional, talentoso, determinado e ético”, diz a nota.

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Tia diz que empresário gostava de luxo

Tia do empresário Rogério Rosa, a comerciante aposentada Ruth Rosa, 73 anos, lembra do dono da Embraed como alguém de alto astral. “Desde pequeno, sempre foi um rapaz bonitão, alegre e namorador”, recorda-se. Dona Ruth lembra que na década de 60, o mestre de barco Horácio Rosa, pai de Rogério, mudou-se de Armação, Penha, para Itajaí. “Ele queria dar estudo aos filhos, botou eles no Salesiano (colégio particular)”, disse a comerciante.

Assim que se casou, Rogério foi morar em Floripa e na década de 80 retornou a Itajaí. “A mudança da casa dele ficou uns três, quatro meses, numa sala que eu tinha lá em casa, na rua Anita Garibaldi”, contou a tia. O dono da Embraed, desde novo, era do tipo empreendedor, mas que gostava da vida de luxo, afirmou a tia. “Tava sempre se metendo em negócios, era trabalhador. Mas também era do tipo playboy. Tinha sempre quatro, cinco carros. Vivia rodeado de moças”, contou.

Apesar de separado duas vezes, Rogério zelava pela família, garantiu dona Ruth. “Sempre cuidou dos filhos, arrumava emprego para os irmãos”, concluiu.

Soube da morte do amigo pela internet

Imagine descobrir, através da internet, que seu amigo de mais de 20 anos está morto. Foi chocada com a notícia e quase sem conseguir falar que Linda Pinheiro, funcionária do ministério do Trabalho, deixou o velório do amigo Rogério Rosa. Ela chorava muito, por isso não conseguiu ficar para o enterro. “Acordei e vi na internet que ele tava morto. Eu não estava acreditando”, disse.

Linda contou, ainda, que viu o amigo há cerca de um mês. “Ele é uma pessoa boa, um grande amigo. Era na dele, não gostava de balada”, contou.



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