Cerca de 50 pessoas, a maioria funcionários da empresa de Pesquisa e Extensão Agropecuária de Santa Catarina (Epagri), organizaram um protesto às margens da rodovia Antônio Heil, em Itajaí, no fim da tarde de sexta-feira. A manifestação, que incluiu a exibição de faixas com frases em tom de desabafo, pedia a instalação de redutores de velocidade e a melhoria da sinalização na estrada, considerada insegura pelo povão. Só neste ano, entre a altura da Epagri e o trevo do quilômetro 12, 22 pessoas morreram, revela a auxiliar administrativa Marilda Roxo Teixeira, 52 anos.
Marilda trampa na Epagri e mora em Balneário Camboriú. Depende da rodovia, pelo menos, duas vezes ao dia, mas morre de medo de enfrentar o trânsito por lá. Semana passada, dois carros bateram de ...
Marilda trampa na Epagri e mora em Balneário Camboriú. Depende da rodovia, pelo menos, duas vezes ao dia, mas morre de medo de enfrentar o trânsito por lá. Semana passada, dois carros bateram de frente perto da Epagri. A gente fica assustado, admite a manifestante, que segurava uma faixa com a frase As comunidades dos bairros Itaipava, Baía, Quilômetro 12 e Loteamento São Pedro pedem mais segurança no trânsito, iluminação e redutores de velocidade na rodovia Antonio Heil.
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A assistente administrativa Marilene Kahl de Miranda, 52, que também trampa na Epagri, foi vítima do trânsito na rodovia. Há cerca de duas semanas, ela saía de carro do pátio da empresa, por volta das 17h, quando seu carango foi atingido na traseira por um bruto que trafegava em direção a Itajaí. Eu entrei na pista e não vi o caminhão. Foi muito forte a pancada, lembra.
O carro de Marilene ficou completamente destruído, mas ela milagrosamente sobreviveu pra contar o episódio. Acho que uma legião de anjos me salvou, definiu a muié, que só neste ano perdeu quatro colegas de trabalho no trânsito violento da Antonio Heil.
Oleiro perdeu filho há dois meses na rodovia
O vai-e-vem de carros, motos e caminhões pela rodovia traz lembranças dolorosas ao oleiro Ênio Carlso Custódio, 53 anos, que mora no bairro Itaipava. Há dois meses ele perdeu o único filho, Carlos Eduardo Custódio, então com 26 anos, que teve o carro despedaçado por um caminhão, ao tentar atravessar a Antonio Heil. Ele foi levar a esposa no trabalho, do outro lado da rodovia, e quando voltou o caminhão pegou ele, lembra, triste, mas refeito do trauma.
Seu Ênio foi surpreendido pela notícia do acidente perto das 5h da madruga, horário em que a nora costumava entrar no serviço. Foi ela que o avisou da tragédia. Quando eu cheguei no local e vi que a frente do caminhão tinha entrado na porta do motorista, percebi que não teria jeito [de o filho sobreviver], conta. Ele chegou a tocar no filho e tentou ajudá-lo, num esforço desesperado e até irracional de pai. Ele teve 72 fraturas pelo corpo, 11 delas só numa das pernas, conta.
Ênio diz que não vai sossegar até o governo do estado autorizar a construção de lombadas físicas ao longo da rodovia, principalmente no trecho entre a Epagri e o trevo do quilômetro 12, onde as entradas e saídas, segundo ele, foram malfeitas e mal planejadas. E não pode ser lombada eletrônica, tem que ser física. A eletrônica eles tiram a hora que querem, concluiu.
Policiais rodoviários federais controlaram o trânsito no local onde rolou a manifestação. Apesar do auê, não rolaram filas nem congestionamentos em função do berreiro.
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