Sem grana pra pagar uma consulta particular, depende do sistema Único de Saúde (SUS). Pra piorar a situação, a guria descobriu semana passada que tá grávida. O pré-natal já foi agilizado, mas ela anda preocupada é com a saúde do bebê por causa dos problemas de pressão alta. Tem que estar lá três horas da manhã, porque se chegar às sete, não tem mais ficha. O prefeito tá mais preocupado em fazer pracinha do que posto de saúde pra comunidade, desabafa.
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A coordenadora do posto, Elaine Nair de Souza, 29, reconhece que a unidade está superlotada. A nossa estrutura é pequena, Itajaí cresce em número populacional, e nós não temos como atender todo mundo. Estamos explodindo, admite.
Dois novos postos previstos
Pra desafogar o postinho do Espinheiros está prevista a abertura de mais duas unidades nos bairros. Um deles, que já era pra estar funcionando, é no loteamento Santa Regina. As obras por lá, que começaram há dois anos, estão mais paradas que água de poço. Até final de dezembro deve terminar o acabamento interno e, depois, será finalizada a fachada do prédio. De acordo com a secretária de Saúde, Dalva Maria Rhenius, os equipamentos também estão sendo comprados. Mas como é final de ano, acabamos tendo dificuldades pra algumas coisas, justifica Dalva, que também é vice-prefeita. Ela garante que no começo do próximo ano o postinho deve ser inaugurado.
Outra unidade que vai dividir os atendimentos é a do Portal dois. Mas vai demorar pra sair, pois o processo de licitação nem começou. Eu já pedi um levantamento para todas as coordenadorias de saúde pra saber o que tá faltando nas unidades, se médico ou estrutura pra readequá-las, afirma.
Faltam exames no SUS
O perrengue na saúde pública peixeira não rola só nos postinhos das áreas mais afastadas do centro da city. Em todos os bairros, os moradores enfrentam mó dificuldade pra fazer exames de endoscopia e colonoscopia. Na fila do SUS, só em Itajaí são entre 300 e 400 pacientes esperando pra fazer os exames, isso sem contar os casos com suspeita de câncer.
Desde o mês de agosto, Itajaí não está autorizando os exames por aqui. Os pacientes que necessitam do diagnóstico estão sendo encaminhados pruma clínica em Blumenau. A explicação da secretaria da Saúde é que faltam prestadores de serviços na city. As clínicas conveniadas com a prefa não querem mais atender pela tabela do SUS. E dá pra entender. Numa clínica particular, um exame de endoscopia custa em média R$ 200, já pelo SUS, 48 pilas. O de colonoscopia pode chegar a R$ 750 no particular e 114 reales no público. Nenhum médico quer fazer por esse preço. Ainda estamos com o edital aberto pra contratação, mas infelizmente ninguém quer concorrer, informa Ricardo Reiser, diretor de controle e avaliação da secretaria de Saúde.
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Nos casos mais graves, com suspeita de câncer, os exames são feitos no hospital Marieta Konder Bornhausen. São 70 de endoscopia e 60 de colonoscopia por mês e, mesmo assim, os pacientes têm que esperar em torno de um mês pra serem atendidos. Outro exame que tá fazendo o povão mofar é o de ressonância magnética. Por mês, a secretaria faz apenas 100, e cerca de 250 pessoas estão na fila de espera. Em novembro, os pacientes que fizeram o pedido em julho e agosto estão sendo chamados pro agendamento.
O posto do Espinheiros
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- A unidade de saúde Rachel Dalçoquio de Borba fica na rua Firmino Vieira Cordeiro;
- O postinho atende 15 mil peixeiros dos Espinheiros, Espinheirinhos, São Roque, Portal 1 e 2, Santa Regina 1 e 2 e colônia Japonesa;
- O agendamento pra clínico geral rola nos dias 1º e 15 de cada mês, isso quando não cai num finde ou feriado. O desse mês, por exemplo, foi dia 18, segunda. A sexta anterior foi feriado da Proclamação da República;
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- Além desse agendamento, o posto libera três fichas diárias, pra atendimento no mesmo dia;
- Tem dois clínicos gerais. Cada um atende 16 pacientes por dia;
- São 500 pacientes por mês;
- Conta ainda com um pediatra e um dentista.