Só que, com a vitória do... ou melhor, com a derrota da Ideli, as coisas ficaram um pouco embaralhadas. Ideli quer porque quer ser Senadora. Diz que este é um desígnio divino, digo, da Dilma e do Lula. E estava alinhavando um chapão com o Raimundão. Com o Vignatti à frente do partido, as coisas ficam meio embaciadas.
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O PT do Vignatti diz que não quer nada com o PSD do Raimundo e o PSD do Raimundo, magoado, já fala que não quer nada também com o PT do Vignatti. Enquanto isso, dá-lhe distribuir trator e outros mimos aos prefeitos. A Dilma até pode ter nascido ontem, mas o pessoal que cuida da campanha dela, não. Fazem política como sempre se fez, porque é dando que se recebe.
O fato é que mais nenhum político quer ficar na oposição. Todo mundo quer embarcar na canoa. Sabem que não vai ter teta pra todo mundo, mas mesmo assim fazem questão de se pendurar no saco de quem tenha mais chance de chegar, ou continuar, no poder.
Isso não é uma coisa muito boa. Transforma todos em vaquinhas de presépio, obrigados a bater palmas e dizer amém. Mas parece que não tem muita saída: todo mundo quer ser da base, a qualquer preço. Porque na base, mesmo condenado e preso, o sujeito sempre pode conseguir um empreguinho maneiro, como esse do Zé Dirceu num hotel de Brasília.
A TURMA CRESCE
Vagou há pouco o cargo de diretor da Imprensa Oficial e Editora de Santa Catarina, que está no organograma da Secretaria da Administração. E aí, claro, o secretário Derly Anunciação (ele próprio um ex-RBS) tratou de trazer o ex-RBS Cláudio Sá, que foi gerente industrial do parque gráfico do grupo no estado.
Além desses dois, o governo de Santa Catarina também abriga o ex-editor de jornais da RBS, Cláudio Thomas, que é diretor de Imprensa da Secom, responsável pela assessoria de imprensa do governador. E tem gente incomodada com essa preferência do governo por profissionais que saíram da RBS.
Ora, num estado que tem 1.262 comissionados na administração direta, autarquias e fundações (segundo a própria SEA), ter só três ex-RBS não deve significar muita coisa. E, vai ver, não significa mesmo.
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AUTOPISTA ♠ RBS
Por falar em RBS, vejam só que caso interessante. No começo do ano o grupo fez uma série de reportagens especiais sobre os problemas dos pedágios nas estradas catarinenses. O alvo era, claramente, a Autopista Litoral Sul. Na ilustração ao lado estão algumas chamadas do site do Diário Catarinense, do dia 15 de abril de 2013. Parecia uma campanha (Pedágio sob suspeita). Bateram forte.
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Aí, de uns tempos pra cá, a Autopista Litoral Sul virou grande anunciante do grupo. Patrocina até um programa do Trânsito 24h, para levar noções de trânsito às escolas. Não é uma feliz coincidência que, pouco depois de levar umas caneladas, a empresa tenha incrementado seu relacionamento comercial com o grupo RBS?
Que bom que estão se dando bem. Acho que, a partir de agora, o pedágio não estará mais sob suspeita. Muito pelo contrário.
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Crédito das fotos: Molecagens sobre fotos do Roberto Stuckert Filho/PR