Após 15 anos de incomodação e gastos, dona Adiles Santina Recalcatti, 54 anos, resolveu botar a boca no mundo e reclamar do perrengue que lhe tira o sono e o sossego. Ela mora na baia número 985 da rua Paraguai, bairro das Nações, em Balneário Camboriú, e volta e meia precisa fazer reformas em casa por conta do vazamento que vem da rua de cima, que não têm encanamento ligado à rede de saneamento básico.
O fedo é o menor dos problemas, se comparado às baitas rachaduras no muro que obrigaram dona Adiles a destruir parte da cozinha e da sala pra deixar os cômodos mais distantes do morro, atrás de ...
O fedo é o menor dos problemas, se comparado às baitas rachaduras no muro que obrigaram dona Adiles a destruir parte da cozinha e da sala pra deixar os cômodos mais distantes do morro, atrás de segurança. Meu filho e meu sobrinho tiraram 30 caçambas de pedra com carrinho de mão daqui; tava desmoronando tudo, relata.
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A aposentada construiu um muro de contenção e mandou instalar, por conta própria, canos de esgoto saídos da casa da vizinha, pra tentar diminuir o problema. Eles não são ligados ao sistema de saneamento básico e vão direto pra boca de lobo. Eu só queria que chamassem a prefeitura pra fazer a ligação, mas não tão nem aí, carca. Pra piorar, os canos que dona Adiles instalou começaram a ficar entupidos, e o esgoto voltou a escorrer. Segundo a mulher, as baias dos vizinhos da rua de cima, a Panamá, não têm calha ou nenhum outro tipo de estrutura básica. Uma delas tá rachada e foi interditada. Eu peço o laudo pra defesa Civil, mas não dão, reclama.
Diogo Catafesta, coordenador da defesa da Maravilha do Atlântico, garante que o pedido do laudo nunca chegou até ele. Pro abobrão, o perrengue é difícil de ser resolvido, porque os moradores precisariam entrar em um acordo antes de qualquer intervenção. Diogo se comprometeu a mandar uma equipe bizolhar o local e fazer um relatório. Quanto aos desbarrancamentos, o coordenador diz que há um mapeamento dos locais de risco e que a defesa Civil teria atuado no local, caso houvesse necessidade.
Valmir Pereira, diretor da empresa Municipal de Água e Saneamento de Balneário Camboriú (Emasa), informou que até hoje não recebeu nenhuma reclamação sobre o caso. Ele também prometeu avaliar a treta, mas adiantou que o papel da Emasa é ligar o esgoto até a frente da casa. Dali pra dentro, é responsabilidade do morador, que precisa contratar um encanador. E depois começa a pagar o esgoto junto com a água. Mas vou até lá orientá-la pessoalmente, garantiu Valmir.