Na próxima segunda-feira começa a reforma que promete dar mais segurança e dignidade às crianças que sofreram violência sexual. Uma sala especial, com brinquedos e com entrada separada, vai ser construída na delegacia da Mulher, Criança, Adolescente e Idoso da Maravilha do Atlântico. A expectativa da delegada regional, Magali Ignácio Nunes, é que a garibada termine em 15 dias. A ordem de serviço foi assinada na terça-feira, 3, e vai custar aproximadamente R$ 8 mil.
A mudança é relativamente simples. Onde hoje fica uma varanda da delegacia, vai ser montada uma sala lúdica, cheia de cores e brinquedos, e com uma entrada isolada. Tudo pra dar mais dignidade e ...
A mudança é relativamente simples. Onde hoje fica uma varanda da delegacia, vai ser montada uma sala lúdica, cheia de cores e brinquedos, e com uma entrada isolada. Tudo pra dar mais dignidade e segurança aos pequenos que foram vítimas de abusos sexuais. Porque muitas vezes a criança e o agressor são levados à DP no mesmo horário e, às vezes, a vítima é submetida a ficar cara a cara com o agressor, reconhece a delegada Magali.
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Além de não ter que voltar a enxergar o abusador, a mudança vai permitir que os pequenos contem a maldade que sofreram apenas uma vez e num espaço aconchegante. Hoje em dia, elas têm que dividir o espaço da delegacia com menores infratores e são obrigadas a repetir a história de horror várias vezes. Primeiro fala ou ouve o relato dos conselheiros pro atendente, que registra o boletim de ocorrência, pro escrivão e, só então, pra algum psicólogo.
De acordo com o conselheiro tutelar Lauro Pipper, essa repetição da crueldade só faz aumentar o trauma. É assustador ter que perguntar pra uma criança de dois ou quatro anos o que o titio ou até mesmo o pai fez. Tem crianças que ficam tão traumatizadas que não dizem uma palavra, apenas sacodem a cabeça, conta.
De acordo com o conselheiro, Balneário Camboriú registra todo mês, em média, dois casos comprovados de abusos contra criancinhas. Em 100% das ocorrências os abusadores são homens e, na maioria das vezes, pessoas que frequentam a casa das vítimas. Sempre um tio, padrasto ou o pai, explica.
Pipper conta que o conselho também recebe muita denúncia infundada, mas jura que não deixa de investigar uma sequer. Às vezes é intriga de vizinho, situação que a pessoa imagina mas não é verdadeira, porém sempre investigamos o mais rápido possível, diz.
Ele aconselha as mães a ficarem sempre de olhos arregalados e prestarem atenção a qualquer alteração dos pequenos, tanto física quanto emocional. As denúncias de abusos sexuais contra crianças podem ser feitas no Disque 100. A ligação é digrátis e pode ser feita de qualquer telefone.