Estamos na temporada de fazer agradinhos aos prefeitos. Há poucas semanas a presidente da República esteve por aqui, distribuindo patrolas e caminhões para prefeituras. Esta semana foi a vez do governo estadual bancar o papai noel: distribuiu 218 veículos para quase todos os municípios.
Nem vamos entrar na discussão sobre o uso, a utilidade e a necessidade desses equipamentos. Otimistas como somos todos, acreditamos piamente que as prefeituras precisavam e farão deles o melhor ...
Nem vamos entrar na discussão sobre o uso, a utilidade e a necessidade desses equipamentos. Otimistas como somos todos, acreditamos piamente que as prefeituras precisavam e farão deles o melhor uso.
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A questão está na transformação de um direito num benefício excepcional para obter, com isso, apoio no ano eleitoral que se aproxima.
Já que boa parte dos impostos recolhidos nos municípios vão para o saco sem fundo do governo federal, nada mais justo que ele devolva, pelo menos uma parte, em máquinas, equipamentos e serviços. No caso do governo estadual, da mesma forma.
Seria alguma coisa normal, natural, nada além do cumprimento, pelo estado e pela União, de suas obrigações, ajudando as prefeituras. Só que e aí é que está a beleza e a maldição da política todas as bondades são transformadas em ruidosos atos eleitorais, porque é disso que dependem os governantes de hoje, para continuarem governantes amanhã.
Com tanto dinheiro rolando (não importa que seja de um empréstimo bilionário que ficaremos pagando pelos séculos afora), é claro que ninguém quer se indispor com os donos da chave do cofre. Com o proprietário da caneta. Ser oposição virou palavrão. Saiu de moda.