Itajaí

Dois mil e quatorze

Por Luiz Fernando Osawa

Os ciclos gregorianos de tão repetitivos dão vertigem. A ideia de recomeço é esperta, mas enjoa. Recomeços sem ter terminado. E todos lamentam o que passou. E todos se excitam com o que virá. Retrospectivas que nada ensinam.

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O poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu algo genial, que intitulou como “Cortar o tempo”, que reproduzo: “Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.”

É mais ou menos o que sinto e penso. Trabalhadores escravizados não dominam o tempo: são servos dele. Mandam os trabalhadores comemorarem em data específica. Descansar, idem. E voltarem com mais energia, para desempenhar aquilo que seu amo quiser. E cansar de novo.

Festas de fim de ano não raramente significam endividamento. Tudo tem seu preço, tudo é caro. Todos querem o melhor, na mesa, na geladeira, e o rombo financeiro acontece, mas tudo bem, logo vem o ano novo, tempo para recuperar-se e, quem sabe, sobrar algo para o próximo fim do ano. Ciclo.

O ano de 2013 foi o ano em que o mundo, mais uma vez, não acabou. Também pudera. De alguma forma, não se pode acabar o que já não existe. O mundo em vários aspectos já morreu, acabou. Nós é que insistimos em sobreviver nele. E aquilo que ainda existe, não economizamos forças para destruir. E isso chamamos de humanidade.

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Fazer previsões não é muito meu estilo. Determinar tarefas? Bem, para 2013 havia determinado apenas três tarefas das quais cumpri tão somente uma. Então, é bobagem. Quer fazer algo? Vá lá e faça. Se necessário, faça com mais urgência. Mentir para si mesmo é a pior mentira.

Autocrítica é uma ação rara, por isso vale ouro. Ao invés de tentar determinar tarefas para o ano vindouro, um bom início seria rever tudo aquilo que não deveria ter feito ainda neste ano. Todos a quem machucamos de alguma forma (e não são poucos, não duvide). A segunda tarefa, um tanto mais difícil, é determinar aquilo que deixamos de fazer, e por quais motivos.

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Em geral, quando se dá conta de que a vida é curta, já é tarde demais. Arrependimentos são corriqueiros a quem, com sorte, consegue refletir na beira da morte. Faz parte do ser limitar-se a ponto de se arrepender. Ocupar-se em arranjar desculpas para deixar de fazer as coisas mais corriqueiras. Medo de falhar? Pode ser, mas a vida bem vivida é a que tem histórias para serem contadas.

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Feliz aquele que tem histórias de vida para contar. Nessas horas, queria ser poeta para romantizar a passagem do ano. Mas o rude cronista não tem o dom para tal. No ano vindouro, amanhã, seria simples a tarefa caso não fosse uma lenda: tentar ser menos pior do que fui ontem.



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