As novas calçadas na avenida do Estado Dalmo Vieira, em Balneário Camboriú, estão dando o que falar. Com as reformas, a altura do meio fio pode chegar a 20 centímetros, dificultando o acesso do povão, que precisa saltar pra conseguir subir na calçada. Além disso, as rampas para acesso de cadeiras de rodas, carrinhos de bebê e pro povão com dificuldades de locomoção desapareceram.
A nova altura das calçadas da principal avenida da Maravilha do Atlântico dificulta o deslocamento de algumas pessoas, como os usuários de cadeiras de rodas, que necessitam das rampas para terem ...
A nova altura das calçadas da principal avenida da Maravilha do Atlântico dificulta o deslocamento de algumas pessoas, como os usuários de cadeiras de rodas, que necessitam das rampas para terem acesso ao passeio público. As calçadonas prejudicam também a locomoção de idosos, como é o caso da dona Marlene Barcellos, 71 anos, que sobe e desce o meio-fio com dificuldade.
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Tá muito alta a calçada; pra mim, que tenho desgaste dos ossos, é difícil passar. Tava pensando se vão fazer alguma rampa, porque todo mundo tem que pular pra descer, e pra subir é pior ainda, reclama. A aposentada mora em Camboriú, mas usa a avenida do Estado praticamente todos os dias para ir à farmácia ou ao mercado.
O atual presidente do conselho Municipal de Pessoas com Deficiência, Eduardo Torto Meneghelli, que também é cadeirante, lembra o direito de ir e vir dos portadores de deficiência física, previsto em lei, e espera que a prefa tome alguma atitude antes mesmo do início da temporada. O problema é que agora a gente fica à mercê do poder público. Por isso, aproveito para fazer um apelo, até emocional, para que as autoridades se sensibilizem com a nossa situação e não deixem como está, solicita.
Asfalto mais alto
Segundo o secretário de Obras de Balneário Camboriú, Elton Garcia, a elevação das calçadas é necessária, porque a avenida do Estado irá receber uma nova capa asfáltica de 15 centímetros, por isso precisará de calçadas mais altas que as atuais. Pra refazer os passeios entre as ruas Síria e Marrocos, a prefa vai desembolsar 590 mil reales. Já o trecho da BR-101 até a rótula das Sereias vai custar um milhão de reales.
O secretário de Planejamento da city, Auri Pavoni, diz que as novas calçadas não possuem rampas porque travessias elevadas vão ligar uma calçada à outra. No entanto, elas só serão feitas depois que os passeios ficarem prontos, o que deve acontecer no ano que vem, pois a partir do dia 20 de dezembro a garibada será paralisada pras festas de final de ano. Nesse meio tempo, o povão vai ter que se virar pra escalar os passeios. Já os cadeirantes vão ter que passar pelo meio da rua.
Pra resolver o perrengue provisoriamente, Auri promete instalar rampas temporárias. Para Eduardo Torto, que foi vereador da city e autor da lei que trata da padronização de calçadas e do sistema viário de modo a garantir o acesso às pessoas com deficiência, esses acessos provisórios não são a melhor opção, mas melhor do que nada. Desde que as rampas respeitem o declive estipulado por normas e sejam realmente acessíveis ao cadeirante, já nos ajudam a circular pela cidade sem ter que andar pelas ruas correndo riscos e atrapalhando o trânsito, diz.
Caso as rampas sejam feitas, Eduardo espera que elas sejam provisórias. Eu sou a favor das elevatórias, porque as rampas cansam muito e normalmente ficam em locais inadequados, como próximas a bueiros. Além disso, o ligamento das calçadas por elevatórias favorece também idosos e mães com carrinhos de neném, afirma.
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