O comerciante e presidente da associação dos moradores do Limoeiro, Luis Sérgio Tambosi, tá soltando fogo pelas ventas. Ele jura que é a favor da duplicação da Antônio Heil, mas discorda do jeito que a coisa vem sendo feita. Segundo ele, os comerciantes estão sendo prejudicados porque a rodovia vai passar em cima dos estacionamentos das lojas. Ele fala que os moradores estão às escuras, sem saber como as obras estão sendo feitas. A única coisa que se sabe é que vão desapropriar pra fazer a duplicação. Não sabemos quem será, nem valor, nada, reclama.
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Luis Sérgio conta que as poucas reuniões que rolaram foram feitas a pedido dos moradores, e só quem os atendeu foram os subordinados da secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR) de Brusque. Cansados de não serem ouvidos, Luis Sérgio conta que a associação vai procurar o ministério Público. Vamos pedir o cancelamento da duplicação até que se faça uma audiência pública com a comunidade, alerta.
O presidente da associação não deve ter participado, mas já aconteceram duas audiências públicas pra debater a duplicação da Antônio Heil. Elas rolaram nos dias 16 de maio de 2012, em Itajaí, e 15 de outubro de 2012, nas duas citys.
O diretor de planejamento do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), William Ernst Wojcikiewicz, jura que todas as reuniões foram divulgadas conforme o previsto por lei. Segundo o bagrão, o grande problema às margens da rodovia são as ocupações irregulares da faixa de domínio, que é a distância entre a pista e o local onde podem ser feitas as construções. No caso da rodovia Antônio Heil, essa distância é de 30 metros, 15 de cada lado a partir do centro.
São construções que não respeitaram a legislação. Agora, quando começa a apertar, começam a colocar a culpa no Deinfra, dispara. William conta que boa parte dos comércios construiu o estacionamento na faixa de domínio, que serve pra aumentar a segurança e deixar um espaço pra possível ampliação. Por isso, quando a duplicação começar, as construções serão demolidas e os donos não terão direito a nenhum pila. O que estiver dentro da faixa de domínio não vai ser indenizado, avisa. Segundo o abobrão, estão previstas poucas desapropriações em trechos onde serão construídos elevados ou viadutos, mas não soube dizer quantos ou quais imóveis serão desocupados.
O advogado Fábio Fabeni diz que pessoas que tenham construído à revelia da lei realmente não têm direito à indenização. Segundo ele, em casos assim não tem choro nem vela. Se tiverem a licença do Deinfra, devem ser indenizados, caso contrário terão que arcar com as consequências, avisa.
Como serão feitas as obras
A duplicação da Antônio Heil está dividida em duas etapas. Em Brusque, a obra é tocada de um jeito diferente. A empresa Irmãos Fischer contratou uma empreiteira pra fazer o trampo. Depois que cada etapa do serviço for avaliada pelos técnicos do Deinfra, o governo paga a empresa através de desconto do ICMS, o imposto sobre circulação de mercadorias e serviços, recolhido pelo governo estadual. Essa obra começou em setembro deste ano e deve ficar pronta em julho de 2015.
Já no trecho de Itajaí, de quase 21 quilômetros, o projeto já foi finalizado e enviado ao banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). De acordo com William, todas as licenças ambientais estão aprovadas e falta apenas o aval do BID pra abrir a licitação do serviço. Não tem prazo pra ser feita, depende da análise do BID, explica William.
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