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Histórias que eu conto

Por Homero Malburg -

Homero Bruno Malburg é arquiteto e urbanista

Praia de Camboriú


Hotel Fischer de Balneário Camboriú (foto: memórias bc)

Nos finais dos anos 50, para ir de Itajaí à praia de Camboriú tomava-se a rua Sete de Setembro, subia-se o Morro Cortado pela encosta leste do morro, e seguia-se na direção de Florianópolis. Esta estrada de terra, na praia de Camboriú, é hoje a avenida do Estado Dalmo Vieira. Dela partiam umas poucas entradas à esquerda, ruas que nos levavam ao mar. Pela primeira entrada, na barra norte, podíamos chegar ao Hotel Marambaia, recém-construído. A entrada principal era onde hoje fica a avenida Central. Uma rua de terra, a avenida do Telégrafo, que corria paralelamente à praia, apenas por algumas quadras do centro, é hoje a avenida Brasil. Avenida Atlântica, a beira-mar, não existia. Para o acesso dos carros às edificações de frente para o mar utilizava-se a praia, com sério risco de atolar na areia.

Além do Marambaia, novinho em folha, tradicionais hotéis de frente ao mar, o Miramar e o Balneário, ficavam na área central. O Hotel Fischer, novo ainda, na direção da barra sul.

Ribeirões corriam paralelamente à praia. Vindo da direção do centro para a barra norte, havia um ribeirão largo que em certo ponto formava uma grande lagoa com mangue, ilhotas, garças e tudo o mais e que desaguava junto ao Marambaia. Este ribeirão tinha outra saída para o mar junto à rua 51, onde hoje fica a praça Almirante Tamandaré. Ali, quando chovia, se avolumava e impedia a passagem de carros pela praia entre o centro e a barra norte. Assim sendo, era difícil a abertura de ruas transversais à estrada principal que nos conduzissem à praia, pois para cada rua deveria haver uma ponte para a travessia do tal ribeirão e da lagoa.

Anos depois, tudo isso foi tubulado e aterrado para atender ao furor imobiliário. A falta naquela época de um plano de urbanismo e de uma consciência ambiental impediram o que poderia hoje se tornar um grande e belo parque, entre a avenida Brasil e a avenida do Estado.

Outros pontos de referência para o sul eram, frente ao mar, o Restaurante Maringá e a casa dos padres franciscanos de Blumenau, em madeira pintada de preto e cercada por eucaliptos. No início dos anos 60, também a casa ainda hoje existente do Presidente Jango e de sua bela Maria Tereza, uma das primeiras banhistas a usar biquíni. Em recente artigo de jornal se falou que, por várias vezes, o Presidente chegava de avião da FAB que aterrissava na praia!

O “opa” Hermann Kock, avô da Élia, quis comprar na época um terreno no centro. Comprou um bem grande, onde hoje é o prédio da Sibara na avenida Brasil. O pitoresco nessa história é que lhe foi oferecido outro terreno de frente para o mar, pelo mesmo valor. Ele, depois de ouvir conselhos, ficou om o de trás, pois na frente tinha muito vento.


Comentários:

Alvaro Augusto Ramos

29/10/2023 18:33

Ótima reportagem, recordei da época em que morei em Itajaí e frequentava está praia, década de 80, já era maus desenvolvida, porém nem sombra do que é na atualidade. Nesta época ainda existia um hotel de madeira, área norte, entre as avenidas do Estado e Atlântica. Tenho orgulho de ter meus três filhos nascidos no Hospital Sta Inês.

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