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Histórias que eu conto

Por Homero Malburg -

Homero Bruno Malburg é arquiteto e urbanista

Cabeçudas


(foto: FOTO: ITAJAÍ ANTIGAMENTE)

Muitos antes de nossos veraneios na Armação ou Camboriú, ir a praia quando pequeno, era sinônimo de ir à Cabeçudas. Sabíamos pelas histórias da família que toda aquela praia havia sido no iní cio do século, sítio de meu bisavô do lado paterno, Ulisses Machado Dutra. Nada de veraneio, muito menos, banho de mar. Sítio mesmo, com vaquinhas e tudo o mais.

No percurso pela estrada de terra, prestávamos atenção porque, conforme contava vovó Felícia Dutra, no tempo de suas idas para o dito sítio, havia na praia da Atalaia uma gruta onde morava uma onça... e então, da janela do carro, podíamos enxergar o buraco no morro.

Na praia “das cabeçudas” nome dado ao local em decorrência das “cabeças-de-pedra” que lá existem, minha outra bisavó paterna, Elisabeth Malburg construiu sua casa de veraneio - acredito que nos anos 30. Lá se reunia toda a família desde o tempo que meu pai era jovem e destes verões com a avó, tios e muitos primos, todos tinham muitas histórias para contar.

De frente para o mar, era uma construção enorme, toda de madeira, em estilo alemão, branca com janelas e portas verdes. Construída bem acima do chão, tinha por baixo um vão-livre onde meus tios guardavam um barco de competição, um iole. A casa era cercada por uma varanda bem larga e toda com piso de assoalho de madeira bem lavado, com amplas salas e quartos. Aos fundos, o banheiro e a cozinha. Lembro-me muito bem do cheiro de ferrugem da água das torneiras, proveniente da oxidação da caixa d’água de ferro fundido. Tudo que naquela casa ficava, enferrujava. Dos pregos aos ilhoses dos tênis.

No segundo pavimento, mais quartos e em particular um onde moravam meus primos mais velhos e que ostentava na parede o famoso calendário da Marilyn Monroe nua, grande satisfação para os adolescentes quando viam a porta aberta.

Na parede da sala, um mural com centenas de fotos que reunidas formavam as letras SMC. O pai disse o que significavam: “Sociedade dos Malandros de Cabeçudas”.  Ao que minha mãe de cenho franzino retrucou: - Que coisa bonita...

Nesta casa moramos de março a dezembro de 1953, enquanto foi reformada nossa casa na cidade. Ali também passamos o verão de 1960/62. Nesta ocasião, o primo Paulo Malburg Filho, nos brindou com uma sessão de “slides”, novidade na época. Todos ficaram pasmos porque eu não enxergava o nome de um navio em uma das fotos. No dia seguinte meu pai, preocupado, me levou a um oftalmologista em Blumenau, pois em Itajaí não os havia. Voltei de óculos, enxergando as placas, as folhas nas árvores e, com vários graus de miopia, tendo a explicação de meu fracasso nos esportes e da dor de cabeça que me dava sempre depois do cinema.

Algumas famílias de Itajaí lá residiam permanentemente mas a maioria dos veranistas da época era de família de origem alemã, principalmente de Brusque e Blumenau. No meio da praia, uma edificação grande, o Hotel Cabeçudas, do seu Zwoelfer, com sua culinária famosa.

Mais ou menos por esta época, inicio dos anos 60, a “praia de Camboriú” começou a passar por um processo de desenvolvimento. Com sua avenida central, as paqueras, os bares, os boliches e uma multidão de meninas passou ser a atração para todos nós adolescentes pelos anos seguintes. Isto é assunto para a próxima conversa.


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