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Histórias que eu conto

Por Homero Malburg -

Homero Bruno Malburg é arquiteto e urbanista

Copas do Mundo


Felizmente não tive consciência da catastrófica Copa do Mundo em 1950. Era muito pequeno e isto me poupou da decepção nacional de uma seleção tida como imbatível, no clima do “já ganhou”.  Aquela vitória da “garra-uruguaia” nos perseguiu como um estigma pelas copas seguintes.

 

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Em 1954, com quase seis anos, lembro-me do rádio da sala de minha avô sendo ligado em um domingo à tarde, para ouvirem a partida Brasil e Hungria. Meu pai, meu tio Luiz e amigos dele fizeram um “bolo esportivo”, sorteando qual dos jogadores do Brasil faria gol. Escolhi o papelzinho e até hoje me lembro dele: estava escrito – Índio. Fomos eliminados pela máquina de jogar futebol de Puskas e companhia.

A primeira copa que minha geração realmente teve consciência foi a de 1958, na Suécia. O Rio de Janeiro dominava o cenário futebolístico nacional. De lá veio a grande maioria dos jogadores. Os jogos, transmitidos pelo rádio, deixavam a imaginação muito solta. A descrição das jogadas não conseguia fazer com que imaginássemos os gols da exata maneira como tinham acontecido. O sofrimento pelos gols perdidos por um ataque com Joel e Mazzola antecedeu a alegria ante a atuação de Garrincha e Pelé, seus substitutos. Os cinco a dois contra a França e, em seguida repetidos na final contra a Suécia, nos fizeram finalmente campeões do mundo. Glória nacional que pode ser assistida muito tempo depois, em documentário da UFA, no cine Luz.

Em 1962, estava interno no Colégio Catarinense em Florianópolis. Em plena época das provas parciais, ouvíamos os jogos pelo primeiro radinho de pilha com alcance para sintonizar as emissoras do Rio e São Paulo. Sofrimento contra a Espanha, o time sem Pelé, contundido, os gols de Amarildo e a partida final transmitida por alto-falantes na Praça Quinze.

Na Inglaterra, 1966, fomos eliminados rapidamente. Perdemos o segundo e terceiro jogo para Portugal e Hungria. Pelé caçado em campo em um tempo em que não se fazia substituições. Nesta copa haviam os vídeo-tapes que passavam pelo Canal 6, TV Paraná, uns três dias depois do jogo. Aqui, os poucos que tinham televisão ainda sem estação repetidora em Santa Catarina, perdiam tempo tentando sintonizar o canal, e através de um “chuvisco” intenso, procurar distinguir a bola.

Finalmente, em 1970, pudemos assistir diretamente do México os jogos ao vivo e a preto-e-branco. Eu era recém-casado, como aliás a maioria dos da minha geração e com nossa primeira TV, vibramos com as seis vitórias de um time verdadeiramente campeão. Pela primeira vez, cada jogo era motivo de um encontro, de uma bebedeira. O jogo final, contra a Itália, assisti em Curitiba para onde tinha ido a fim de comprar meu primeiro carro, garantido pelas economias de meu salário na construtora Canaveral, meu primeiro emprego. Segunda-feira, voltamos para Itajaí tri-campeões, a bordo de um Volkswagen 68, 1300, café-com-leite.

A partir de 1974, na Alemanha as transmissões passaram a ser a cores. Comprei uma televisão Telefunken 26”, na loja do Pedro Silva que fez muito sucesso. Era uma das primeiras que apareceram. Finalmente podíamos ver em campo as cores das camisas, o verde dos gramados.

Dai pra frente a tecnologia pouco mudou. Apenas mais câmeras no campo, melhores imagens, ângulos inusitados. Passamos a vibrar mais e sofrer com maior intensidade com o realismo das imagens. Os narradores passaram a ser mais honestos com a verdade, pois afinal víamos também tudo. O jogo perdido passou a ser analisado como falha nossa, e não apenas como o roubo de um juiz, como nos tempos do rádio. Rádio aliás que continua a ser ouvido mesmo nos dias de hoje. No jogo do Brasil contra Bélgica, numa obra em construção, vi os operários trabalhando, pensamento lá na Coréia, e um radinho preto, desses moderninhos, todo respingado de traço, no último volume, transmitindo a partida.


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