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Histórias que eu conto

Por Homero Malburg -

Homero Bruno Malburg é arquiteto e urbanista

A infância de duas rodas


A partir da metade dos anos cinquenta, começaram a aparecer no comércio as bicicletas nacionais. Até então, a grande maioria delas era importada. Alemãs, suecas, inglesas, normalmente pretas e de construção extremamente sólida, para durar toda a vida. Eram feias, no nosso entender, principalmente porque tinham por baixo do selim, duas molas espirais que apareciam de longe...

 

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Então eis que surgiram duas marcas que lutavam pela preferência: Monark – “a rainha das bicicletas” e a Erlam. Bastava que o pai nos desse uma destas para que imediatamente nos tornássemos os maiores defensores das “nossa marca”. E chegávamos a brigar por isso.

Eram vendidas em vários tamanhos, as pequenas com rodinha auxiliar, as médias e as de adulto. Em modelos diversos, vinham pintadas em cores diferentes, com frisos decorativos caprichosamente traçados. Os selins eram lisos, sem as ditas molas aparentes e não tinham freio-de-mão. Freiava-se no pé, apertando o pedal para trás. Recentemente li que esta característica era proveniente de uma peça chamada “Torpedo”, localizada no eixo da roda traseira. As bicicletas atuais não tem este freio.

Com o tempo, passávamos a entender mais de detalhes técnicos: bicicleta de “pião” grande eram boa subir ladeiras, mas cansativa para correr. As de “pião” pequeno eram ótimas na corrida mas penava-se em qualquer subida. Como não haviam bicicletas com marchas, tínhamos que optar.

Vinham de fábrica com o bagageiro atrás, que servia para sentar o “carona” e para levar carga que podia ser presa por duas hastes de mola. Também tinham sineta no guidão; sinalização tipo “olho-de-gato” e um cadeado primário. Os acessórios eram vários. Haviam um cestinho de vime com assento acolchoado que os pais aparafusavam na barra horizontal para carregar crianças pequenas. Bonitas eram as capas de selim, plásticas, coloridas e algumas cheias de franjas. Os punhos originalmente em borracha preta podiam ser enfeitados com fitas. Decalcomanias eram coladas em várias partes e instalados espelhinhos retrovisores. Acessório caro era a lâmpada, um farol dianteiro acoplado a um dínamo encostado no pneu. Movido pela roda, quanto mais se acelerava mais forte era a luz. Homens usavam uma peça metálica para prender a barra da calça e impedir que ela engatasse e sujasse na graxa da corrente.

Como as mulheres só usavam vestidos, a bicicleta feminina não tinha a tal barra horizontal. Para evitar que as saias enroscassem nos raios da roda traseira, a cobriam com uma espécie de rede.

Alguns pais presenteavam os filhos menores já com uma bicicleta de adulto e os pés não alcançavam direito nos pedais. No aprendizado, às vezes, o pé escapava e a gente caía sentado em cima da barra de ferro. Aí era um suplício. A dor no “saco” dava vontade de largar a bicicleta, sentar no meio-fio e chorar. Mas isso não era coisa de homem!

Principalmente para quem já tinha uma bicicleta daquele tamanho...


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