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Histórias que eu conto

Por Homero Malburg -

Homero Bruno Malburg é arquiteto e urbanista

Anos cinquenta: os filmes


(foto: reprodução)

Voltamos a falar de cinema. Afinal, era o grande lazer daqueles tempos. De filmes nacionais, exibiam-se as chanchadas da Atlântida e da Vera Cruz, que sempre davam um jeito de incluir cenas de Carnaval no roteiro. A maioria absoluta era de filmes americanos: épicos como “Ulisses”; safáris na África; seriado do Flash Gordon; aventuras de piratas com Errol Flynn; sobre idade média, “O Escudo Negro” com Tony Curtis; os de capa-e-espada onde o herói sempre escapava pendurado no lustre; as invasões da Terra por extraterrestres; todos eles alimentando nossa imaginação e, por que não?, nossa cultura geral.

 

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Os preferidos entre nós de onze, doze, treze anos  eram os “far-west”. Aprendíamos aí sobre a geografia americana; as regiões geladas do norte; as imensas pradarias, os desertos do sul; canyons; o Texas e as cidadezinhas do oeste de uma rua só.

Apreciávamos as Winchester 44, os revólveres Colt 45, e até as pistolinhas Derringer que as mulheres traziam escondidas na liga da meia. Os exércitos do norte de farda azul e os do sul, de cinza, na guerra da Secessão também tinham suas torcidas. Os índios que, coitados, sempre perdiam, eram por nós admirados por seu jeito de cavalgar pendurados ao lado do cavalo, por suas flechadas certeiras e até pelos escalpos conseguidos. Nos cenários, as diligências, os trens, as caravanas, os fortes, as minas e os indefectíveis “saloons”.

Brincávamos de “mocinho” nos imaginando naquelas ruas desertas e empoeiradas duelando com nossos Colts de brinquedo. O mais rápido em sacar a arma liquidava o adversário. Sabíamos até morrer com estilo: pôr a mão no peito e desabar o chão. Com a boca fazíamos a parte sonora: “música” de perigo, o barulho dos tiros até o “tuimm”  da bala ricocheteando. Quem podia tinha um par de pistolas de espoleta e um coldre enfeitado. Fantasia pura!

Por esta época havia um jornal na cidade que, por orientação da igreja, trazia uma relação dos filmes da semana censurados. Cotação de “livre” até “proibido”, passando por classificações intermediárias com várias restrições.

Certo domingo, fomos assistir um “far-west” no cine Itajaí com censura apropriada para nossa idade. A história corria bem até que um bando de mexicanos cheios de “tequilas” invadiram uma casa isolada. A moça que lá morava ficou apavorada. O chefe bêbado gritou: “Tira roupa!”. Ela sozinha, sob a mira dos revólveres, não teve escolha, pois ninguém apareceu para salvá-la. E foi tirando... Na plateia, quedou-se um silêncio sepulcral. Olhos arregalados na tela, dava para ouvir a respiração de cada um. De costas para a câmera, acabou tirando só a parte de cima, mas o inesperado da visão daquelas costas nuas nos deixou boquiabertos. Segunda-feira era o assunto do dia. Os pais perguntando aos filhos: “Que filme foste ver? Aquela fita imoral?”.  Desta experiência ficaram duas certezas: o padre não devia assistir a todo filme que censurava e mulher pelada, mesmo que de costas, era coisa muito interessante para se apreciar...


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