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Histórias que eu conto

Por Homero Malburg -

Homero Bruno Malburg é arquiteto e urbanista

Sábado à noite


(foto: Acervo histórico)

Depois de um bom banho; topete engomado; traje da moda e de jantar; íamos todos para a rua Hercílio Luz. Isto, lá pelas 19h30 o que daria tempo para o “footing” antes da sessão de cinema.

Tínhamos três cinemas em Itajaí, quase sempre cheios. Isso porque nesta época e em boa parte dos anos 60, haviam poucas formas de lazer antes do advento da televisão.

O Cine Itajaí ficava na rua Hercílio Luz, na quadra situada entre as ruas Felipe Schmidt (esquina do Banco Inco) e a rua XV de Novembro (esquina do banco Nacional e da Farmácia Catarinense). Seu acesso se fazia por um corredor largo bem no centro do prédio, pois as laterais que davam para a rua eram ocupadas por duas lojas: a Barbearia do seu Ardigó e o Café do Maneca, com aquele cheirinho permanente de café recém-coado que se sentia sempre ao sair do cinema. Neste corredor, exibiam-se nas paredes laterais os cartazes dos filmes programados para breve. Lá, tínhamos a plateia de baixo e uma galeria que nós chamávamos de “poleiro”. Muito mais tarde ele ganhou poltronas estofadas, conforto que até então nenhum dos nossos cinemas possuía.

O Cine Rex era na rua XV, a uns 50 metros da esquina, onde depois se construíram os cines Scala e Coral. Ficava bem nos fundos do terreno em frente um pátio de areião, local ideal para se jogar pião, bola-de-gude e para o comércio de gibis antes da matinê.

O Cine Lux era o mais novo dos três, na rua Manoel Vieira Garção. Foi o primeiro a anunciar a tela grande do  “CinemaScope”. Tinha umas janelas para ventilar a plateia, bem no alto, tipo basculante de madeira. Os filhos do seu Eurico Krobel, vizinhos da esquerda, consumiam todo o estoque de ovos da dona Mery, tentando fazer com que eles passassem por tais janelinhas...

Existiam filmes que produziam filas de dobrar quarteirões. Lembro-me quando bem pequeno, do “Maior Espetáculo da Terra”, mais tarde de “Bem-Hur”. “Os dez mandamentos”,  “Cleópatra”, etc... Outro sucesso garantido eram os documentários das Copas do Mundo de 58 e de 62, ganhas pelo Brasil.

De tudo isso, o bom mesmo era o tal “footing”. Acontecia principalmente na quadra em frente ao Cine Itajaí, onde as mocinhas desfilavam para cima e para baixo. Nós, em grupinhos, ficávamos parados na calçada, em frente às vitrines, observando e comentando: “Viste que olhada? Deu bola? Quem será ela?

O melhor ponto era o das vitrines da Casa Willerding, porque tinham um peitoral largo e de uma altura tal que nos permitia sentar as costas para o vidro, apreciando o movimento. Tal conforto durou pouco. O seu Julio, para defender a integridade do vidro e a visão dos produtos expostos, mandou fazer uma gradezinha baixa de ferro, cheia de pontas...

Comprávamos drops, chicletes e “torradinho” para comer durante a sessão. Este, vendido por meninos, tinham como dose uma canequinha que ao enchê-la, alguns espertos vendedores enfiavam o polegar dentro, para diminuir a quantidade do amendoim. Tudo isso durava até pouco antes das 20h30 quando começava a sessão. Daí, corriam todos para ver o filme escolhido, em preto e branco ou “Technicolor”ou simplesmente aquele filme que a “mocinha do olhar” tinha ido ver. Corria-se para sentar perto; o ideal era atrás dela, a tempo de enxotar com um sonoro “Xôôôôô! O condor da “Condor – filmes”, pousado sobre uma montanha nevada que, obediente, levantava voo e dava voltas pela tela.


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