Colunas


Histórias que eu conto

Por Homero Malburg -

Homero Bruno Malburg é arquiteto e urbanista

Economia e reciclagens


Cia Malburg teve atividades por 105 anos (foto: facebook/itajaí de antigamente)

Meu pai era funcionário da Companhia Malburg, fundada em 1860 por meu trisavô, o alemão Nicolau Malburg. Ocupou por certo tempo um cargo de gerência vago pelo falecimento do meu tio-avô, Carlos. Nós, lá de casa, vivíamos de seu salário. Embora muita gente pudesse achar que éramos ricos, isto não era a realidade. Muitos filhos, seis na época, faziam com que minha mãe, “caixa” da Sul-América quando solteira e Ministra da Economia da casa, fizesse ginástica para fechar o mês.

O pai levava no bolso só o dinheiro do maço de Continental que ele fumava. Vivíamos com conforto, boa alimentação, colégio particular, aulas de música, muitos livros – alimentos de corpo e espírito – mas sem desperdícios e excessos. Não se tocava no dinheiro da gratificação de fim de ano. O pai comprava mais ações da firma para garantir nossa educação no futuro. Percalços financeiros administrativos fizeram-nas virar fumaça quando a Cia Malburg encerrou suas atividades em 1965, com 105 anos de história...

Pelo menos duas vezes por ano aparecia lá em casa a Dona Catarina. Aparentada nossa, era costureira. Fazia roupas para todos nós: calças, camisas, pijamas para o rapazes; vestidinhos, blusas e camisolinhas para as meninas, tudo do jeito dela. E era aí que morava o perigo... Éramos convocados no meio das brincadeiras para dar uma provadinha na roupa – sem direito a palpite – ou para ir ligeiro comprar alguma coisa que estava faltando.

Estas compras eram terríveis: aprendemos desde cedo a distinguir retrós de carretel de linha. O carretel era de madeiras e o retrós era de papelão com linha de um infinidade de cores. No balcão das lojas, um armarinho cheio de gavetinhas rasas com os retroses de toda cor possível. A mãe nos entregava um pedaço de pano e tínhamos que trazer linha daquela cor. Nunca trazíamos, de primeira, a cor certa. Daí voltávamos à loja até acertar. E os “récos”, como se chamavam os zipers? Tinham, além da cor, largura e comprimentos diferentes... A romaria às lojas da dona Erna, à Casa Cliper e ao seu Jorge Tzaschel era contínua até ela ficar satisfeita.

A reforma de roupas era trágica. Os padres salesianos nos obrigavam a frequentar as aulas de paletó. Lembro-me de um paletózinho marrom listrado, obra da dona Catarina, surgido de um terno velho do pai, que eu detestava. Era horrível.

A economia continuava nos livros escolares. Eu, o mais velho, herdava os livros que tinham sido usados por meu primo, Luciano Corbetta. Ele, exímio desenhista, ilustrava as páginas com desenhos e caricaturas dos professores e eu morria de medo que os padres descobrissem. Tais livros, muito bem cuidados, viravam atração para meus colegas quando descobriam os desenhos. No catecismo, por exemplo, fartamente ilustrado, podia aparecer na cena de Adão e Eva sendo expulsos do Paraíso; trepado numa árvore, o Tarzan com a Chita no colo. E que beleza era a ilustração original da fuga para o Egito, onde, por obra do Luciano, atrás de São José, Maria e Jesus menino, sobre uma duna, lá estava o Zorro, empinando seu cavalo e dizendo: - Aiouu, Silver, avante!


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

Leia mais

Histórias que eu conto

Anos cinquenta II

Histórias que eu conto

Histórias da Hercílio Luz

Histórias que eu conto

Tempos de Ginásio III

Histórias que eu conto

Tempos de ginásio II

Histórias que eu conto

Carnaval? O quê?

Histórias que eu conto

Tempos de ginásio

Histórias que eu conto

Escolas: velhas e novas

Histórias que eu conto

A funda

Histórias que eu conto

Anos cinquenta

Histórias que eu conto

Nos anos cinquenta...

Histórias que eu conto

Alguém ainda se lembra?

Histórias que eu conto

Trânsito sensato

Histórias que eu conto

Caçando e pescando

Histórias que eu conto

Anos de música

Histórias que eu conto

É pra facilitar ou pra complicar?

Histórias que eu conto

Coisas da moda...

Histórias que eu conto

Camboriú, de novo

Histórias que eu conto

Camboriú, ainda

Histórias que eu conto

Praia de Camboriú

Histórias que eu conto

Cabeçudas



Blogs

Blog do JC

Mudou

A bordo do esporte

Thiago Pereira e Swim Floripa levam Troféu José Finkel para Floripa

Blog da Jackie

Verão, calor, quentura e mormaço

Gente & Notícia

Warung reabre famoso pistão, destruído por incêndio, com Vintage Culture em março

Blog da Ale Francoise

Intestino preso, use todos os dias

Blog do Ton

Medicina Estética

Blog Doutor Multas

Como parcelar o IPVA de forma rápida e segura

Blog Clique Diário

Pirâmides Sagradas - Grão Pará SC I

Bastidores

Grupo Risco circula repertório pelo interior do Estado



Entrevistão

Entrevistão Adão Paulo Ferreira

"Porto sozinho não serve para nada. Ele precisa ter navios, linhas"

Irmã Simone

"Aqui nós atendemos 93% SUS”

Eduardo Rodrigues Lima

"A Marinha já fez 27 mil abordagens a embarcações no Brasil inteiro”

Edison d’Ávila

"O DIARINHO serve como uma chamada à consciência da cidade”

TV DIARINHO

O projeto que obriga o uso de sacos e sacolas ecológicas no lugar de sacos de lixo e sacolas plásticas ...




Especiais

Caso Ilha de Marajó

Vereadora de Navegantes está entre os políticos que impulsionaram fake news sobre exploração sexual infantil

TURISMO

Japaratinga: vale a pena se hospedar no melhor resort do Brasil?

VIAGEM NO TEMPO

Museu do Carro traz nostalgia e diversão sobre o universo automotivo

NOVOS TEMPOS

SC é pioneira na promoção da mobilidade elétrica

PLANEJAMENTO URBANO

Camboriú vai investir mais de R$ 60 milhões em mobilidade



Hoje nas bancas


Folheie o jornal aqui ❯








MAILING LIST

Cadastre-se aqui para receber notícias do DIARINHO por e-mail

Jornal Diarinho© 2024 - Todos os direitos reservados.
Mantido por Hoje.App Marketing e Inovação