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Por Coluna esquinas -

Os 10 dias em que ouvimos a palavra GRITO


Vi os espaços da praça tomados pela palavra. Conto o que vi para que confiem em minhas palavras e me digam, ao final da leitura, se consegui ser digno do que aconteceu nos últimos 10 dias na cidade de Itajaí.

Quando a literatura é tomada como diversa e uma multiplicidade de vozes encontram seus espaços de fala, de grito, de criação eu ouço com atenção.

Quando a palavra é dita por tantos e tantas sem sofrer com julgamentos morais ou desprezo pelos doutos que nem se deram ao trabalho de presenciar o movimento, eu respeito.

Quando os depoimentos se ocupam de contar sobre transformações pessoais a partir da palavra escrita, eu silencio.

Quando o evento começa ouvindo a ancestralidade em vozes de palestrantes nascidos no meio da mata, eu reverencio e acolho.

Quando a fala de uma travesti traveste a palavra, tirando-a do controle de morais e velhos padrões, eu sou grato por esse grito junto.

Quando o evento encerra com a palavra dita nas ruas libertando os imaginários possíveis, acordando a cidade para a palavra  – ainda –  silenciada, eu rio alto.

O 4° Festival Literário de Itajaí pousou nas janelas da cidade como um pássaro multicor. Abriu a cortina das casas e levou a palavra diversa, permitiu que as falas silenciadas tivessem voz, abriu a caixa de pandora e deu o céu para que o verso maldito pudesse gritar e a prosa não lida contasse seus segredos em mesas de debate, painéis, oficinas. 

Ahhh e o encontro olho no olho! Matamos a saudade com uma feira na praça. Olhos e mãos pegando livros, encontrando seus autores, conhecendo as editoras da região e conversando... conversando sem uma tela entre nós.

Foi assim. Foi assim. A cidade ouviu a palavra gritar. Quem ainda não ouviu o grito, precisa atentar um pouco mais para sua cidade e quem é inundado por suas ruas, becos e gentes. Quem não ouviu o grito precisa urgentemente ler sua cidade.

Você perdeu? Tudo está gravadinho nas redes sociais desse festival que foi lindo de ver, sentir e assistir. A palavra, enfim, tomou conta do cotidiano da cidade com verso, prosa e outros modos de dizer o que é urgente e preciso.

E, que um dia a palavra não precise gritar. Um sussurro já seria o suficiente para que a literatura continuasse pulsando em nós.

Fica a dica:

Vai lá e visita o canal do youtube da Fundação Cultural de Itajaí e as redes sociais do 4° FLI – Festival Literário de Itajaí (@festivalliteraiodeitajaisc). Corre lá, que em abril já vem o 5° FLI!


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