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Coluna Existir e Resistir

Por Coluna Existir e Resistir -

Racismo: um tema que não pode sair do nosso radar!


O Brasil reproduz relações sociais e econômicas profundamente desiguais, que resultam de uma formação histórica racialmente fundada e que se materializa na vida cotidiana da população negra.

Isso pode ser evidenciado por meio de dados e fatos que demonstram como negras e negros, nas estatísticas, estão associados aos maiores índices de subemprego e desemprego, pobreza, violações e violências, dentre outras condições que se originam da condição racial.

No “Setembro Amarelo”, mês em que normalmente se debate (e se enfrenta) o suicídio, uma única reportagem (do Estadão) trouxe um dado impactante: pesquisa divulgada em 2019 pelo Ministério da Saúde apontou que jovens negros, entre 10 e 29 anos de idade, foram as pessoas  que mais cometeram suicídio nos últimos quatro anos. E o racismo é, sem dúvida, um dos fatores de risco para suicídio.

“A primeira coisa que percebemos é que o próprio movimento do real tem nos convocado, cada vez mais, a não apenas reconhecer a existência e as nefastas consequências do racismo – e, com isso, desmistificar o mito da democracia racial – mas, sobretudo, a criar estratégias coletivas para seu enfrentamento”, aponta Tales Fornazier.

Segundo ele, o racismo estrutural é um elemento conformador das relações sociais e não um fenômeno patológico ou anormal. Portanto, ele se materializa nos diversos âmbitos da vida social em desigualdades, violências e iniquidades às pessoas negras.

Para Tales, o racismo, por ser estrutural, se coloca como a “forma normal” de funcionamento das instituições, as quais, não raras vezes, serão responsáveis por reforçar os processos de sofrimento derivados do racismo, exatamente por não reconhecerem as particularidades que envolvem a raça. Inclusive o suicídio.

Em São Paulo, na cidade de Araçatuba, um caso de racismo religioso ganhou repercussão nacional, após veiculação de reportagem no Fantástico e no Uol. 

Uma mãe perdeu a guarda da filha de 12 anos por 17 dias, após a criança passar por um ritual de iniciação no candomblé, que envolve raspar a cabeça.

A ação foi movida pelo Conselho Tutelar da cidade, que recebeu denúncias de maus-tratos e abuso sexual. Como uma delas foi feita pela avó da menina, que é evangélica, a defesa da família afirma que o caso é de “intolerância religiosa”.

Nenhuma das denúncias foi comprovada. Em depoimento, a criança chegou a relatar que não estava sofrendo qualquer tipo de abuso, mas, sim, passando por um ritual de iniciação do candomblé, do qual ela tinha ciência.

Sobre o caso em Araçatuba, Marlise Vinagre, professora da UFRJ  que é também Yalorixá (Mãe-de-Santo no candomblé), reforça que houve racismo religioso contra a religião de matriz africana. Segundo ela, racismo religioso se trata da rejeição, aversão ou até mesmo ódio a um grupo étnico que tem nos credos e nas práticas religiosas africanas ou das várias etnias africanas.

O racismo está muito arraigado às estruturas institucionais brasileiras, deixando a nu o fato de que as instituições não são neutras, ao contrário, elas são instituições a serviço dos interesses de classe, a serviço dos interesses da branquitude, além de estarem impregnadas pelo valor eurocentrismo.

Não é mais possível mantermos as práticas colonialistas revestidas de novas formas; não podemos mais ignorar e naturalizar a violência em nossos corpos. Daqui para frente, não dá para voltar atrás.

Adaptação de texto do Conselho Federal de Serviço Social – CFESS Gestão Melhor ir à Luta com Raça e Classe em defesa do Serviço Social (2020-2023), Comissão de Comunicação

Rafael Werkema - JP-MG 11732, Assessoria de Comunicação, comunicacao@cfess.org.br


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