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Por Coluna esquinas -

Para adultos lerem com urgência


Sou de um tempo em que meu pai contava histórias à beira do fogão à lenha enquanto minha mãe cozinhava ovos de galinha para o café da manhã e esperávamos o carteiro nas tardes frias para receber a carta de parentes distantes. Muitas delas perfumadas.

Do tempo em que tomávamos ‘ki suco’ com pão e ríamos da língua vermelha com o corante de groselha. Ou quando íamos para a escola com livros enrolados no saco de arroz de cinco quilos.

Vivíamos - sem culpa - o prazer de ficar com as mãos com cheiro de tangerina ‘roubada’ na vizinha (que sabia tudo, mas fazia vista grossa). Ou ficávamos sujos de barro depois de escorregar no barranco. O sabão em barra resolvia o problema sem máquina automática. Bendita mãe!

Tempo em que o pão era enrolado em papel e chegava dobrado ao meio porque colocávamos embaixo do braço para jogar bola de gude na esquina.

Nossos amores eram platônicos e o primeiro beijo ficava guardado para a moça de nossos encantamentos.

Tínhamos marca de vacina no braço e falávamos de futuro como se ele fosse em 2001 – uma odisséia chegar lá.

O rádio nos sintonizava com o resto do mundo em ondas curtas e músicas bregas.

Os sonhos infantis eram simples como completar o álbum de figurinhas com jogadores de futebol.

Pois bem, o futuro chegou, envelhecemos, e os desafios são tão grandes quanto o de nossos pais que conviveram com as brincadeiras de roda pela rua, ‘polícia-ladrão’ ou esconde-esconde.

Hoje convivemos com crianças que perguntam muito e não se contentam com qualquer resposta, as redes sociais mudam comportamentos e eleições, o presidente do país faz apologia às armas, os políticos carregam dinheiro na cueca e o meio ambiente pega fogo.

Confrontos de gerações poderia ser uma saída um tanto óbvia, mas ainda acredito ter algo mais a falar. Vejamos:

A família transita entre um filme no Streaming predileto e outra resposta urgente na rede social enquanto as conversas ficam para o dia seguinte (que nunca chega).

As escolas perderam-se na tentativa de educar com regras passadas, discursando a favor de um futuro tão incerto quanto os conteúdos que dizem ser fundamentais para a vida.

Os heróis vestem a cueca por cima da calça com cores do grande imperialista do norte enquanto jovens transitam por escolhas profissionais e pessoais que falam de empreendedorismo, esquecendo o estresse e depressão.

Igrejas ocupam os noticiários com atrocidades, vociferando em nome de um deus surdo e cego.

Instituições públicas, que educaram minha geração, estão em crise e jovens ignoram suas regras para lá de ultrapassadas.

Paro por aqui, afinal as palavras só ganham sentido se contribuem para vermos o mundo com outros olhos. E, sim sim sim, ando um tanto melancólico. Ninguém está imune nesses tempos pandêmicos.

Querem uma dica para hoje? OUÇAM SEUS FILHOS, que andam caçando ouvidos para tanta ansiedade. E, como diz Robertinho Silva, “já fui professor, eu sei”.


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