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Por Coluna esquinas -

O breve espaço entre nós


Liberdade, palavra polifônica que habita discursos vazios e outros aguerridos. Liberdade exige ação. Eu só me sinto livre se não tenho medo.

Envolto em pensamentos sobre ações de necropolítica, descasos, desacatos com a humanidade e, sobretudo, tensões sociais, não deixo de temer por minha vida e a daqueles que amo. Medo de humanos que estão ali na esquina, na casa vizinha, na rua.  Dia após dia, humanos podem fazer ações inimagináveis que destroem e matam. Reservo ainda mais medo ao sentir que a sociedade naturaliza tais ações. Minha liberdade está em xeque.

Essa maldade não está aqui relacionada com religiosidade ou instinto de sobrevivência, está diretamente relacionada com o meio para atingir outros fins que não são éticos. Essa realidade não pertence ao passado, está entre nós. Dados sobre violência étnica, agressões religiosas, feminicídios ou palavras de ódio em redes sociais - se valendo do anonimato - dão esse sinal de que o praticante de ações violentas age sem culpa porque é acobertado por uma engrenagem que o acolhe. Mata o índio ou deixa morrer o filho da empregada doméstica, e afirma ter pensado que era “apenas” um mendigo” ou mais “alguém sem importância”. Estupra com argumento imbecil de que a “mulher deu mole com aquela roupa”.

A noção que está no fundo da ação violenta é a de propriedade. Sim, exatamente. Um homem que agride, mata e ou estupra se acha dono do corpo feminino. Um indivíduo que queima vivo o indígena ou deixa morrer o filho da empregada doméstica se acha no direito de eliminar pessoas por se sentir dono delas. É uma concepção escravagista. Um defensor do agronegócio que ateia fogo na floresta para ampliar o seu pasto ou monocultura, acredita que a natureza está a serviço de suas necessidades materiais. Todas as relações são monetárias e, delas, fazem uso para assegurar a posse.

E, por mais doloroso que seja pensarmos assim, são ações justificadas por um sistema desigual, explorador, selvagem e monetário. Eliminamos, selecionados, exterminamos e regulamos.

Entre nós, a palavra delete ganhou o status de verbo. Deletar é apagar qualquer evidência de erro. Não permitimos que “desvios” sociais perdurem. Se vivo na contramão do consumo ou evito usos do sistema, se sou morador das periferias, pobre, preto, indígena, se tenho a vivacidade infantil, se sou artista, se meu corpo é meu território sem ceder à padrões posso ser um entrave que precisa ser deletado da memória social para que o capital impere.

Ahhh, claro! Dirão alguns que é exagero. Prefiro falar sobre isso, tocar na ferida, antes que tenhamos que comprar mais vida em bancos, com QR Code.

O breve espaço entre nós precisa ser habitado pela palavra alteridade.

O breve espaço entre nós merece ser povoado com sonhos coletivos.

Fica a dica:

O documentário Tempo e Aceleração Social: a ressignificação do tempo e seus efeitos na Hipermodernidade (Brasil/2012) que trata do tempo acelerado e comprimido que tem adoecido a humanidade e impactado em vários campos da vida humana.


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