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Coluna Existir e Resistir

Por Coluna Existir e Resistir -

Igualdade e fraternidade: o diálogo como porta para a empatia


Ter uma boa moradia, oportunidades de lazer, educação de qualidade para os filhos, ser respeitado na comunidade onde vive, ter voz ativa na sociedade. Se você chegou até aqui é porque é uma pessoa normal com sonhos e objetivos. Mas já pensou que para muitas pessoas só existe um sonho e objetivo? Igualdade. Ser negro hoje é viver numa peleja diária pela igualdade. É ter coragem para enfrentar o medo de ser parado pela polícia, é ter força para aguentar piadas, é saber lidar com os rótulos impostos. É ter perseverança para sobrepor a invisibilidade.

Sou um jovem negro de 18 anos. Atualmente, moro em Santa Catarina, mas sou natural da Bahia. Vim de uma família simples que morava em uma cidade pequena chamada Camamu, a 400 km ao sul de Salvador. Em Santa Catarina, moro em Camboriú numa casa legal, estudo em um dos colégios mais conceituados da região e levo uma boa vida. Em comparação, o IDH educacional de onde eu morava quando nasci era de 0,164, enquanto o atual de onde moro é de 0,697 (425% a mais). Vivendo essas duas realidades, posso afirmar como é ser negro e como um negro é tratado em diferentes situações.

Quando cheguei a Santa Catarina, não percebia um tratamento diferenciado, até pela inocência da minha idade e a proteção que tinha, mas achava estranho me perguntarem se eu falava português. Com o passar do tempo, comecei a notar que faziam piadas com o meu cabelo, entre outros tipos de comentários que as pessoas achavam engraçados de fazer referentes a minha pele ou características físicas. Cheguei a ouvir de uma criança que eu era muito preto, o que me fez pensar que tipo de valores as famílias vivem. Mas, no ano passado, tive a pior das experiências quando fui parado duas vezes pela polícia. Na primeira delas, fui supostamente acusado de estar assaltando a minha melhor amiga. Detalhe: ela era branca e estávamos voltando juntos do nosso karatê. Na segunda vez, tive uma arma apontada para minha cabeça na frente da minha própria casa. E a única pergunta que eu faço é o porquê de todas essas experiências.

As pessoas confundem o não ser racista com o não discutir o racismo. Escondem-se atrás de um discurso pronto de que não existe racismo e de que todo mundo é igual (em tese, é uma fala bonita, mas a realidade é diferente). Essas pessoas nem imaginam que quando você fica neutro diante de uma situação de injustiça, você escolhe de que lado está. Fechar os olhos e fingir que nada está acontecendo, ao invés de abraçar a causa como verdadeiros irmãos, sempre é a solução mais fácil. Não basta ser ético é preciso praticar a ética.

Adaias Santos Dias


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